domingo, 20 de abril de 2008

Neurofisiologia da memória

1. Introdução

Fundamentação Teórica

2.1 Teorias e Modelos: As primeiras tentativas de explicação

2.2 A memoria possivel

2.3 Aprendizagem: Aquisição de dados para pensar e agir

2.4 Os defeitos da memoria

2.5 A construção da autobiografia

2.6 Lembrar sem saber

2.7 Modulação da memoria

2.8 Mecanismos celulares e moleculares

3. Conclusão

4. Referencia Bibliográfica






1. Introdução

Dentre todas as nossas capacidades mentais,uma das mais importantes com certeza é a memória.É com ela que guardamos tudo o que aprendemos,tudo o que vemos e vivemos.podemos dizer que sua participação é muito importante na formação de nosso repertório comportamental.Ela nem sempre é consciente,as vezes,algo torna-se tão comum a ela que nem mesmo nos lembramos que sabemos,ela é nossa memória.
Nossa memória subdivide-se em memória ultra-rápida, que dura frações de segundos. A usamos para dar continuidade as atividades que estivermos fazendo naquele momento.A de curta duração,que dura minutos,ou horas,e que garante a continuidade do presente,e a de longa duração,que garante o registro do nosso passado auto-biográfico.
Quanto a natureza de nossa memória, ela ainda subdivide-se em: memória explícita que pode ser descrita por meio de palavras,memória episódica,que guarda fatos seqüenciados,memória semântica, que funciona como um dicionário,memória implícita, que não pode ser declarada por meio de palavras, a memória de representação perceptual, que é nossa memória pré-consciente, memória de procedimentos, que são nossas habilidades “automáticas” , a memória associativa, que é responsável pelo condicionamento operante e clássico, a não associativa,que promove habituação ou sensibilização, e a memória operacional, que permite o raciocínio e planejamento de comportamentos.
Nem tudo é bela na memória.Existem nela diversos distúbios,como amnésia retrógrada,amnésia anterógrada, doença de Alzheimer, a falta de vitamina B1 (tiamina) e o alcoolismo que também levam a perda da memória para fatos recentes,e também diversos outros males ligados a memória.
Diante de tantas subdivisões, pretendemos com esse trabalho esclarecer um pouco mais a respeito dessa nossa capacidade mental chamada memória.Os detalhes serão melhor apresentados conforme a evolução do mesmo










2.1 Teorias e Modelos: As Primeiras Tentativas de Explicação


A memória é a capacidade que têm o homem e os animais de armazenar informações que possam ser recuperadas e utilizadas posteriormente. O primeiro deles é a aquisição, seguindo-se a retenção. Tipos e subtipos de memória são: A memória ultra-rápida, de curta duração e a de longa duração. O numero de informações que recebemos diariamente é imenso, muito maior do que o que realmente incorporamos à nossa historia de vida.
Os animais com lesões no córtex cerebral apresentavam um desempenho pior, precisando de tempos mais longos para encontrar a saída do labirinto. Que a memória tinha localização distribuída no sistema nervoso. As demais funções neurais careciam de localização precisa, sendo representadas igualmente em todas as regiões.
Um aluno de Lashley, o canadense Donald Hebb (1904-1985), levou á frente a concepção antilocalizacionista da memória. Imaginou que, quando um evento fosse percebido por uma pessoa, certos circuitos do neocórtex seriam ativados. Esses circuitos, então, “representariam” o evento, e a sua evocação (lembrança) consistiria na reativação. Na década de 40, quando Hebb criou o seu modelo, as sinapses eram ainda uma hipótese, mas ele imaginou que as conexões mais ativas seriam fortalecidas e estabilizadas, enquanto o contrário ocorreria com as conexões que permanecessem inativas.
Um outro psicólogo, David Marr, já no final da década de 70, elaborou um modelo computacional a partir dos conceitos de Hebb. Surgiu então a idéia de redes neuronais. Marr sugeriu a existência de um processador separado que armazenaria as memórias temporariamente para depois transferi-las ao córtex.

2.2 A Memória Possível

Por ser uma característica bem desenvolvida na espécie humana, e de natureza bastante introspectiva, não é difícil para qualquer um de nós imaginar os processo mentais utilizados na memória.
Seqüência de Processos ou Processos sem Seqüência?
O primeiro dos processos mnemônicos é a aquisição, que consiste na entrada de um evento qualquer nos sistemas neurais ligados à memória. Aquisição ocorre uma seleção: como os eventos são geralmente múltiplos e complexos, os sistemas de memória só permitem a aquisição de alguns aspectos mais relevantes para a cognição, mais marcantes para a emoção. Após a aquisição dos aspectos selecionados de um evento, estes são armazenados por algum tempo: às vezes por muitos anos, ás vezes por não mais que alguns segundos. Esse é o processo de retenção da memória.
Com o passar do tempo, alguns desses aspectos ou mesmo todos eles podem desaparecer da memória: é o aquecimento. Isso significa que a retenção nem sempre é permanente – aliás, na maioria das vezes é temporária. Algumas formas de memória, a capacidade de retenção é finita e parece não ultrapassar um pequeno numero de itens de cada vez. Tendemos a reter mas facilmente os primeiros e os últimos de uma série, e esquecemos aqueles situados no meio. O esquecimento é uma propriedade normal da memória. Há casos em que o esquecimento é patológico, para mais ou para menos. Chama-se amnésia quando o individuo apresenta esquecimento “demais”, e hipermnésia quando ocorre o oposto. Dentre s vários aspectos de um evento, alguns serão esquecidos imediatamente, outros serão memorizados durante um certo período, e apenas uns poucos permanecerão na memória prolongadamente. Houve consolidação quando o evento é memorizado durante um tempo prolongado, ás vezes permanentemente. É a evocação ou lembrança, através do qual temos acesso à informação armazenada para utilizá-la mentalmente na cognição e na emoção.




Tipos e Subtipos de Memória

A memória pode ser classificada quanto ao tempo de retenção em memória ultra-rápida, cuja retenção não dura mais que alguns segundos; memória de curta duração, que dura minutos ou horas e serve para proporcionar a continuidade do nosso sentido do presente, e memória de longa duração, que estabelece engramas duradouros.
A memória explicita reúne tudo que só podemos evocar por meio de palavras. Pode ser episódica, quando envolve eventos datados, isto é, relacionados ao tempo; ou semântica, quando envolve conceitos atemporais. Memória de representação perceptual, que corresponde à imagem de um evento, preliminar à compreensão do que ele significa. A memória de procedimentos: trata-se, aqui, dos hábitos e habilidades e das regras em geral. Dois subtipos muitos importantes de memória implícita são conhecidos como associativa e não-associativa. A memória não-associativa quando sem sentir aprendemos que um estimulo repetitivo que não traz conseqüências é provavelmente inócuo, o que nos faz “relaxar” e ignora-los.
A memória operacional, através da qual armazenamos temporariamente informações que serão úteis apenas para o raciocínio imediato e a resolução de problemas, ou para a elaboração de comportamentos, podendo ser descartadas logo a seguir.

2.3 Aprendizagem: Aquisição de dados para pensar e agir

O repertório de capacidades mnemônicas de tipos diferentes começa com a aquisição de informações, isto é com a entrada dos dados selecionados para o sistema de armazenamento da memória.
A aprendizagem é processo de aquisição das novas informações que vão ser retidas na memória. Através dela nos tornamos capazes de orientar o comportamento e o pensamento.
“De certo modo, a memória pode ser vista como o conjunto de processos neurobiológicos e neuropsicológicos que permitem a aprendizagem” (LENT, Robert, 2004, p.594)
A memória diferentemente é o processo de arquivamento seletivo dessas informações pelo qual podemos evocá-las sempre que desejarmos, consciente ou inconsciente e ela pode ser vista como o conjunto de processos neurobiológicos e neuropsicológicos que permitem a aprendizagem.
Todos os animais são capazes de aprender, sua capacidade de aprendizagem pode ser a dois tipos principais, associativa e não-associativa, que se confundem com os subtipos de memória implícita de igual denominação.
Aprender com a repetição inócua do ruído que não se trata de algo ruim, esse subtipo de aprendizagem não-associativa chama-se habituação.
Aprender a esperar algo assustador e colocar-se em estado de alerta para qualquer eventualidade trata-se de outro subtipo de aprendizagem não-associativa de certo modo oposto á habituação, que se chama sensibilização.
Condicionamento clássico trata-se de uma forma de aprendizagem associativa entre dois estímulos. Condicionamento operante ou instrumental caracteriza-se pela associação entre uma determinada resposta comportamental.
O estudo experimental dos tipos de aprendizagem, além de ter contribuído com o conhecimento dos processos psicológicos pelos quais se dá a aquisição da informação para os sistemas mnemônicos, tem sido especialmente útil para o estudo das bases neurobiológicas da memória. Isso porque possibilitou a elaboração de diversos experimentos engenhosos com animais, associados a lesões de regiões neurais específicas, o registro da atividade elétrica neuronal e até mesmo o emprego de técnicas bioquímicas e moleculares.

2.4 Os defeitos da memória

A maior parte dos dados provêm de estudos de casos clínicos, apesar de o avanço tecnológico possibilitar “ver” o cérebro em ação. Geralmente tenta-se relacionar os problemas de memória com lesões cerebrais, no entanto existem casos, raros, de pessoas com cérebro aparentemente normal, mas que sofrem DCE amnésias ou hipermnésias, por causas de fatores psicológicos.
A localização das lesões pode saer feito pelo estudo da anatomia patológica após a morte ou em vida, utilizando-se os métodos de imagem cerebral morfológica e funcional.

Memória de menos:

O caso do paciente canadense H.M. lembra a história do filme “ Como se fosse a primeira vez”. H.M. sofria de epilepsia grave desde a adolescência, em 1953, quando H.M. tinha 27 anos. Número e a intensidade de crises que sofria diariamente levaram os neurologistas a recomendar uma cirurgia radical, na qual se faria a remoção do focos epilépticos situados no setor medial do lobo temporal, bilateralmente, cirurgia a qual atingiu o hipocampo, no entanto preservou as áreas posteriores ao mesmo.
Examinado várias anos após a cirurgia, foi constatado uma melhora do quadro epiléptico, mas infelizmente também um grave distúrbio da memória.
H.M. relatava ter sempre 27 anos e não se recordava de qualquer fato ocorrido a partir de 1953, nem mesmo dos profissionais da saúde que o atendiam. No entanto se lembrava perfeitamente dos fatos ocorridos anteriormente à cirurgia.
O quadro de H.M. era de uma amnésia anterógrada total, isto é, completa perda de memória para os fatos ocorridos após a lesão de seu sistema nervoso, associada a uma amnésia retrógrada parcial, restrita ao período imediatamente anterior à cirurgia, e tanto mais forte quando mais próxima do momento da lesão cirúrgica.
O caso H.M. permitiu concluir que as regiões do lobo temporal participam de modo fundamental no processo de consolidação da memória explícita, pois a ressonância magnética confirmou que as estruturas do lobo temporal medial é que haviam sido atingidas, sendo elas portanto as responsáveis pelas funções perdidas. Nem a aquisição nem a retenção temporária da memória sofreram alterações com a lesão, já que H.M. se mostrou capaz de aprender tarefas típicas da memória de procedimentos, como novas habilidades motoras, e reter informações de curta duração em sua memória operacional, para utilizá-las em testes que envolviam raciocínio , cálculos e outras operações mentais. Portanto, as funções atingidas pela lesão envolviam especificamente a memória explícita.
A lesão não havia atingido a retenção duradoura das memórias antigas nem os seus processos de evocação. Os déficits apresentados por H.M. se restringiam à consolidação da memória explícita, provocando amnésia anterógrada (incapacidade de reter novas memórias) e retrógrada pré-lesional (incapacidade de consolidar as memórias de curta duração que haviam sido adquiridas pouco tempo antes da cirurgia). Ocorre amnésia retrógrada isolada, por exemplo, em certos casos de lesões do lobo temporal lateral: déficit na memória operacional em casos de lesão do giro supramarginal (situado na fronteira do lobo occipital com o lobo parietal).

Tipos de memória e seus subtipos:

Explícita: semântica - lembrança de fatos e conceitos.
episódica - lembranças de acontecimentos presenciados pessoalmente.

Implícita: de procedimentos - habilidades e hábitos motores.
emocional - respostas emocionais aprendidas.

Memória de mais:

Um jovem repórter que tinha uma fantástica característica: hipermnésia e incapacidade de esquecer. Outro caso real, Sherashevski era capaz de memorizar listas de 70 a100 itens (palavras e números, especialmente). Sua extraordinária memória explícita fez com que deixasse a profissão para ganhar dinheiro exibindo-se em apresentações populares. Mas o que seria uma vantagem tornou-se uma desvantagem. As sucessivas séries de que tinha de memorizar não podiam ser esquecidas, e a cada vez se tornava mais difícil diferenciá-las umas das outras. Sua capacidade de pensar era limitada, porque não conseguia ignorar detalhes para generalizar alguma coisa. Luria investigou o mecanismo utilizado por seu paciente e concluiu que ele apresentava uma anomalia perceptual chamada sinestesia, valendo-se dela para a sua extraordinária memória.
Tudo a ser memorizado era associado a uma imagem visual, a uma sensação corporal, a um cheiro e a um gosto. O número de associações sensoriais que estabelecia com objetos e fatos facilitava a memorização, mas dificultava a compreensão. Ao final, se perdia na compreensão de sentido.
Os casos de hipermnésia são muito raros, e ainda não foi possível compreender sua determinação neurobiológica.

Memória provocada:

Neurocirurgião canadense estimulava eletricamente o córtex cerebral de pacientes acordados sob anestesia local, com o objetivo de determinar com precisão as regiões patológicas a serem removidas. Em um desses casos, ao estimular o giro temporal superior de uma mulher, ouviu dela o seguinte relato: “ – Acho que ouvi uma mãe chamando seu filho em algum lugar.” Em outro momento Penfield estimulou o córtex ínfero-temporal, e obteve da paciente o seguinte: “ – Tive uma lembrança; uma cena de um pátio, onde eles estavam conversando e eu vi perfeitamente em minha memória”.
Desse modo, a estimulação das regiões temporais próximas ao córtex auditivo provoca a evocação de memórias auditivas, ligado a percepções visuais no córtex ínfero-temporal, evocando lembranças visuais.
Atualmente, a localização das áreas do sistema nervoso envolvidas com os vários processos e tipos de memória pode ser feita com muita precisão utilizando as técnicas de imagem funcional, como por exemplo a ressonância magnética

2.5 A construção da Autobiografia

Pode- se dizer que sua memória é sua autobiografia, o repositório das suas vivencias e sentimentos. Quando alguém descreve sua autobiografia, seleciona os aspectos e fatos que mais lhe interessam e que lhe parecem importantes.
Do mesmo modo, a memória não reúne todas as experiências que vivenciamos, mas apenas aquelas que selecionamos- conscientes ou inconscientemene- para serem armazenadas e depois lembradas.
Memória ultra-rápida : O Flash inicial
Como os eventos externos incidem sobre os órgãos dos sentidos,pode-se supor que os primeiros processos mnemônicos incidam sobre os sistemas sensoriais. É a chamada memória sensorial,que não alcança a consciência.
Temos também um outro tipo de memória rápida,de curta duração,que embora seja muito pequena,seja duas ou três vezes maior que a memória ultra-rápida sensorial.Essa memória foi chamada de arquivo icônico para eventos visuais,e arquivo econico para eventos auditivos.
Como não se trata de uma memória consciente,chegando apenas aos níveis sub-corticais, não se fala em esquecimento da memória ultra-rápida,mas em decaimento,sendo que para arquivos icônicos seja de meio segundo,e arquivos econicos, de cerca de 20 segundos.Difere por que precisamos de um tempo maior para processar os sons que ouvimos , e compreende-los.
Memória operacional: O arquivo dinâmico de informações.
Apenas parte das informações será processada na memória de trabalho a cada minuto. Ela destina-se apenas ao fornecimento ao indivíduo de capacidade para reter informações durante o tempo necessário para realizar tarefas durante o dia.Como se fosse uma memória “on line” que o indivíduo possui.
Tendo em vista essa função,a memória operacional lida com dados provenientes da memória ultra-rápida, mas não unicamente dela: utiliza também informações armazenadas na memória de longa duração.
Com base nas evidências da neurologia clínica e experimentos fisiológicos, considera-se que a memória operacional é constituída por um componente executivo conhecido como executivo vísuo-central e dois componentes de apoio: um deles visuo-espacial e outro fonológico.
Os indivíduos com déficits na memória operacional não apresentam qualquer deficiência na memória explícita de longa duração,o que indica :que esses dois sistemas mnemônicos são dissociados, ou seja, operados por regiões cerebrais diferentes, e que a memória operacional não é essencial para o armazenamento de longa duração.
Através de testes,como o de Wisconsin os neuropsicólogos estudam as funções das regiões pré-frontais do cérebro na memória,C
Com base em alguns resultados, os neurofisiologistas concluíram que o córtex pré-frontal está mesmo envolvido com a memória operacional, e passaram a estudar a atividade de neurônios dessa região durante os testes com retardo em macacos. Detectaram a presença de células cuja atividade cresce durante os períodos de visualização do cartão inicial e do cartão final ( teste feito pelos neurofisiologistas) e também em outras cuja atividade cresce durante o retardo.
O córtex pré-frontal sedia o componente executivo da memória operacional, cuja função é coordenar as informações visuo-espaciais armazenadas no córtex parieto-ociptal direito e as informações fonológicas arquivadas no córtex perieto-ociptal esquerdo.
O lobo temporal medial participa também dos mecanismos de um tipo de memória operacional chamada memória relacional,que permite a foirmação de um tipo de mapa cognitivo de relação dos eventos de cada momento com o espaço externo no qual o indivíduo se encontra.
Através dos estudos,os neurofisiologitas estabeleceram que todo um conjunto de regiões participa dos mecanismos de memória operacional, destinados a fornecer-nos dados para raciocinar e agir, armazenando por alguns segundos ou minutos algumas das informações que continuadamente chegam ao nosso SN através dos sentidos e de nossos próprios pensamentos.
Memória Explícita : O arquivo duradouro
Em paralelo com a memória de curta duração, uma outra seleção de informações tem lugar no sistema nervoso central durante a construção da nossa autobiografia. Trata-se da memória de longa duração, especialmente da memória explicita. O “objetivo” é prover a nossa mente com um enorme arquivos de dados que possam ser evocados a qualquer momento, sempre que necessário.
Todos envolvidos nos mecanismos da memória, o hipocampo, situado mais medialmente e constituído por diferentes regiões cito arquitetônicas ; o córtex entorrinal, assim denominado por se encontrar “para dentro” do sulco rinal, o córtex perirrinal e o córtex para-hipocampal. Além disso, retirou também uma estrutura mais rostral chamada amígdala. O papel de cada uma dessas regiões do lobo temporal tem sido gradativamente esclarecido, principalmente pela análise comparativa de diferentes casos de amnésia, mas também pela realização de experimentos em macacos.
A participação do hipocampo foi investigada utilizando macacos submetidos a lesões cirúrgicas do lobo temporal medial. Esses estudos, revelam diferentes em relação aos seres humanos. Os macacos eram submetidos ao tese de comparação de amostra com retardo. O desempenho não alterou pois não havia afetado a memória operacional.
A duvida levantada pelos experimentos em macacos quanto a diferenciação entre a participação do hipocampo e a participação das regiões corticais adjacentes na memória humana é esclarecida quando se analisam outros pacientes. Em certos casos ocorre amnésia retrógrada isolada, como é típico da doença de Alzheimer e de uma infecção com o vírus do herpes que atinge o sistema nervoso central.
É possível concluir que o hipocampo não é o sítio onde estão armazenados os engramas da memória explicita, mas a estrutura coordenadora do processo de consolidação desses engramas, que provavelmente se realiza em outros setores do córtex.
A analise das conexões do hipocampo, entretanto, revela que ele possui conexões importantes também com o diencéfalo- os corpos mamilares dói hipotálamo e indiretamente, com os núcleos anteriores do tálamo. As amnésias diencefálicas-predominantemente anterógradas -são freqüentes nos alcoólatras graves que apresentam a conhecida síndrome de Korsakoff e lesões disseminadas no diencéfalo que atingem principalmente o tálamo e os corpos mamilares.
A hipótese mais provável, aceita por muitos neurocientistas mas ainda não comprovada,é a de que cada região cerebral de processamento complexo armazena informações sob comando hipocampal. Assim,é provável que sejam armazenados nas diferentes áreas do córtex ínfero-temporal que realizam a percepção de objetos. Os arquivos léxicos e fonéticos sejam armazenados na área de Wernicke e suas vizinhas- o amplo conjunto de áreas corticais situadas na confluência dos lobos temporal, parietal e occipital, e assim por diante. O mesmo se pode supor para a memória implícita de longa duração devem estar situados nas regiões motoras do córtex, núcleos da base do cerebelo.
Um indicio importante de que essa hipótese pede ser verdadeira provem de experimentos de registro eletrofisilógico no córtex ínfero-temporal de macacos. As células gnosticas dessa região cortical, que respondem a faces e outros objetos complexos aumentam gradativamente sua atividade elétrica quando são estimulados repetidamente com o mesmo estimulo.
Essa característica foi interpretada como um correlato do processo de memorização do estimulo, que possivelmente leva ao estabelecimento definitivo do engrama correspondente no córtex ínfero- temporal

2.6 Lembrar sem saber


Nem toda memória é consciente, memorizamos muitas coisas do que nos damos conta a cada momento, essa é a memória implícita
Memória de representação perceptual
A memória de representação perceptual trata-se de uma identificação com base na forma e na estrutura do objeto, sem que seja necessário saber seu nome ou sua função. A existência desse tipo de memória foi comprovada pelo estudo de pacientes com lesões no córtex visual ou no córtex auditivo, e que permanecem capazes de reconhecer certos objetos sem, no entanto, saber o que são e para que servem. Através desses pacientes, além disso, concluiu-se que os engramas dessa memória são armazenadas nas áreas corticais sensoriais.
Duas características da memória de representação perceptual: a repetição, para consolidá-la e o fenômeno da pré-ativação, necessário para a evocação.
Hábitos, habilidades e regras
O outro tipo de memória implícita que depende de repetição é a memória de procedimentos. Trata-se aqui dos hábitos, habilidades e regras, algo que muitas vezes memorizamos sem sentir e utilizamos sem tomar consciência, depois e consolidada, a memória de procedimento é muito sólida. É interessante notar que memória de procedimentos é semelhante ao condicionamento operante, no qual se associa um estímulo a uma resposta.
O experimento indica que a memória dos hábitos, habilidades e regras é primariamente inconsciente, embora possamos reconstruir das ações memorizadas – a posteriori – uma lógica coerente que nos faça adquirir uma memória explicita delas. Outra indicação de que isso é verdade vem dos pacientes com amnésia. Aqueles – com HM – que têm deficits da memória explicita têm, no entanto, inteira capacidade de aprender procedimentos. E há outros casos de pessoas com deficits específicos da memória implícita sem qualquer alteração da memória explicita.
É interessante notar que, de certo modo, a memória de procedimentos é semelhante ao condicionamento operante, no qual se associa um estímulo a uma resposta. Trata-se então de um exemplo de reconciliação conceitual entre os antigos psicólogos comportamentalistas, que encaravam o sistema nervoso como uma caixa preta de mecanismos insondáveis, e os neuropsicólogos contemporâneos, que buscam correlatos neurais para os fenômenos psicológicos.

2.7 Modulação da memória

Todas as funções do sistema nervoso podem ser moduladas. Isso significa que o seu funcionamento pode ser ativado ou desativado, acelerado ou desacelerado, fortalecido ou enfraquecido segundo as necessidades de cada momento. Também a memória pode ser modulada, isto é, pode ser fortalecida ou enfraquecida por situações que dão contorno aos eventos.
Os sistemas moduladores consistem, em conjuntos diversos de fibras que terminam de modo difuso em vastas áreas do SNC. Essas fibras se originam de núcleos localizados no tronco encefálico, no diencéfalo e no prosencéfalo basal, e apresentam a característica marcante e atuar por meio de certos neurotransmissores bem conhecidos, especialmente as catecolaminas e a acetilcolina.
Dentre todos esses sistemas moduladores, entretanto, um deles desempenha um papel de maior relevo pelo fato de associar as emoções (e suas repercussões em todo o organismo) com a memória. A amígdala é na verdade um complexo de núcleos (complexo amigdaloíde) tem grande participação na fisiologia das emoções. Um dos grandes componentes desse complexo é hoje reconhecido como modulador emocional da memória, o grupo bassolateral. Esse grupo de núcleos emite projeções especialmente para o hipocampo e o córtex entorrinal, duas das regiões corticais que participam justamente do processo de consolidação da memória explícita.

2.8 Mecanismos celulares e Moleculares

Todos os fenômenos básicos da memória foram demonstrados em diferentes animais , até mesmo os mais antigos na escola filogenética como os invertebrados. Todos os animais são capazes de aprender , e demonstram isso através de mudanças de comportamento em resposta a influências ambientais.Essas características filogeneticamente conservadas da aprendizagem sugere que se poderia considerar a memória como uma propriedade intrínseca do sistema nervoso, presente nele já a partir do seu organismo na natureza, nos primeiros organismos multicelulares .A conseqüência lógica dessa concepção é supor que devem existir mecanismos celulares , e talvez mesmo moleculares subjacentes ao armazenamento de informações pelos circuitos neurais.
Essa hipótese se fortaleceu quando foram descobertos os mecanismos da neuroplasticidade , por definição a propriedade do sistema nervoso de alterar a sua configuração morfológica ou fisiológica sob a influencia dinâmica do ambiente.Uma associação lógica imediata pode então ser feita entre aqueles fenômenos celulares e os fenômenos neuropsicológicos da memória .Asim , a memória de curta duração , que é perdida logo após a sua utilização em alguma forma de pensamento ou comportamento ,seria possivelmente uma conseqüência da permanência dos sinais elétricos produzidos e veiculados pelos neurônios e pela sinapses.Por outro lado,a memória de longa duração ,que em alguns casos dura até o fim da vida , seria possibilitada por alterações estável em um código estrutural mais estável.
Várois fenômenos da plasticidade sináptica se qualificam como possíveis mecanismos celulares e moleculares da memória , particularmente a potenciação e a depressão de longa duração ,já demonstradas no hipocampo , no córtex cerebral, no cerebelo e em outras regiões neurais reconhecidamente participantes de fenômenos mnemônicos .Esses mecanismos são chamados “de longa duração” na escala de tempo eletrofisiológica,mas na verdade poderiam ser os correlatos da memória de curta duração,que são instáveis e passageiros .Às vezes esses fenomenos sinapticos podem prolongar – se na escala de dias, e até já se demosntrou que podem induzir alterações na infra estrutura das sinapses. Nesse caso, essas alterações estruturais seriam is correlatos do fenômeno da consolidação da memória nos engramas estávesi e douradouros da memória de longa duração.

Os Mecanismos das Diversas Formas de Memória

O conhecimento detalhado da filosofia e bioquímica da plasticidade neural, principalmente da potenciação de longa duração (LTP) na área CAI do hipocampo, nos proporciona modelos úteis para abordar os mecanismos de formação das memórias declarativas. Nos últimos anos demonstramos varias coisas, em colaboração com Jorge H. Medina, da Universidade de Buenos Áries, e numerosos colaboradores de nossos laboratórios e de outros.
1) Em CAI as cascatas moleculares envolvidas na formação de memórias simples de aquisição rápida, como a aquisição inibitório são parecidas com as da LTP. Destes últimos processos que ocorrem duas a seis horas após a aquisição da memória, derivam a ativação dos outros genes e a síntese de proteínas essenciais para as alterações morfológicas subjacentes á constituição definitiva das memórias. Em cada passo da cadeia o hipocampo interage com o córtex entorrinal e através desta com córtex pré-frontal.
2) A capacidade mnemônica e mantida por um sistema independente que utiliza outros processos neuroquímicos dentro das mesmas estruturas nervosas: a memória de curta duração .
3) Os sistemas neurais e neuroquímicos são encarregados da evolução das memórias: em CAI e nos córtices enterronal, parietal e cingulado intervêm receptores glutamatérgicos metabotrópicos e as cascatas da PKC, PKA e fundamentalmente MAPK.
4) Tanto a formação como a evocação das memórias de curta e de longa duração são fortemente moduladas por vias relacionadas com a vida emocional. Essa modulação se estende durante horas e age no hipocampo e no córtex entorrinal, parietal e singulado. Sua hiperativação pelo stress pode produzir os conhecidos “brancos”.


3.Conclusão

Através deste trabalho, percebemos o quanto é importante o papel da memória em nossa vida. Ela é necessária em toda e qualquer atividade de nosso dia a dia,como a memória ultra-rápida,que nos ajuda nas atividades momentâneas,como se fosse a memória on-line do ser humano,que pode ser comparada a memória RAM de um computador,a memória de longa-duração,através da qual formamos nosso modo de ser,que é onde fica nossa memória auto-biográfica.
Aprendemos como se chegaram às teorias que temos hoje a respeito da memória,lendo a respeito dos testes como os do labirinto aquático, sobre os experimentos de Lashley, e outros. Vimos que ao longo do tempo,foram descobrindo e redescobrindo onde a memória fica armazenada no nosso cérebro,como foi proposto por Lashley, que dizia que a memória ficava distribuída ao longo do nosso sistema nervoso, mas ainda hoje, a localização exata das áreas da memória é uma tarefa muito problemática como também o entendimento exato da função da própria memória.
Como em toda a ciência, temos ainda muito a aprender a respeito da memória, e os estudos não param por aí, cada dia mais descobrimos coisas novas a respeito dessa nossa capacidade de guardar experiências e fatos do nosso dia a dia

1. Referencia Bibliográfica

LENT,Robert. Cem bilhões de neurônios. Conceitos Fundamentais da Neurociência. São Paulo: Atheneu,2004. p. 698. Cap. 18 p. 587-617.


Esequias Caetano de Almeida Neto.Trabalho apresentado na faculdade.